Mudanças

Morar fora é um salto no escuro. Mesmo que você tenha planejado tudo cuidadosamente, mesmo que tenha previsto muitas situações, é um passo incerto.

Na bagagem de alguns vai o medo conversando com a esperança, na de outros a alegria brigando com a dúvida. Outros ainda levam a tristeza sendo consolada pela determinação. São bagagens rumorosas e inquietas. Em todos os casos, existe aquele fio invisível que liga o velho ao novo. São as lembranças, boas ou más, são os que ficaram, é outro você que lá fica. O novo você esta para chegar ao novo lugar e é esse novo você que um dia voltara lá.

Muitas pessoas não voltam ao lar deixado. Guerra, desavenças, novo trabalho, desemprego, casamento, convivência, desastre, seja qual for motivo, não voltam. Fisicamente, porque aquele lugar será sempre a sua referencia, o seu eu construído. Cabe a você saber o que é preciso mudar para ser melhor.

As relações deverão ser reconstruídas. Você não terá um novo amigo de infância, um medico que te conhece desde sempre, aquele café da padaria preferida tal e qual como é, mas terá novas tentativas.

Às vezes é preciso se “realfabetizar” em todos os sentidos: falar uma nova língua, pegar ônibus, saber onde fazer compras, arrumar um novo medico, novo cabeleireiro, orientar-se.

Ao longo desse processo ocorrem tantas mudanças imperceptíveis em nos mesmos que somente alguém que nos conheceu antes é capaz de notar. As grandes mudanças, ah, essas vem com o tempo, com as pancadas, erros e acertos.

Nesse processo todo, uma coisa é certa: você não é mais aquele você. Resta saber se esse novo individua é uma pessoa mais feliz, melhor ou mais realizada. E se não é, mas não existe caminho de volta? Existem outros caminhos, até mesmo onde você esta.

Depois que você deu o primeiro salto, a bagagem para o próximo salto será mais silenciosa.

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Sobre viajar

Conheço tantas cidades e suas gentes que posso dizer ser uma pessoa que se adapta.

Amo experimentar comidas típicas, ir aos pontos não tão turísticos, fazer roteiro para os amigos, fazer o que os moradores fazem, descobrir locais bons e baratos e fazer muitas, muitas fotos.

Quem viaja buscando o conforto da própria casa, a comida de seu país e fazendo comparações, não viaja, se move. Mover-se não é viajar. Viajar é experimentar, ousar, deixar-se levar.

Já me perdi nas vielas de Veneza, Roma, Londres e tantas outras. Sou da época que GPS era coisa do futuro e a confiabilidade era no bom e velho mapa, no senso de direção e nos passantes.

Certa vez, no meio do furdunço de Barcelona, mochila nas costas, mala na mão, mapa aberto, gente pra todo lado e vento, atravessei correndo a rua. A rodinha da mala quebrou, o mapa voou, o semáforo abriu e no pegamalacorreatrasdomapaesaidafrentedoscarros a mochila subiu na cabeça e quase me estatelei no meio da rua. Um senhor me devolveu o mapa e me deu a informação que eu queria. Pena que era a informação errada e fiz 1 km à toa, tentando fazer a mala equilibrar-se em três rodinhas. Causo de viagem!

O que importa mais para você em uma viagem seja ela qual for?

Gosto do cheiro que cada lugar tem. Gosto da cor, do sabor, da musica, dos jardins e castelos…ah, os castelos! Tenho paixão por eles e suas historias. As pontes, igrejas, torres, monumentos e casas, são o contorno desse quadro maravilhoso que fica impregnado em nossa retina.

Fui?

Ontem viajei para Dubrovnik . É um sonho antigo, uma coceira cada vez que ouço ou leio esse nome. Fui lá sabe como? Digitei na internet e olhei cada fotografia, cada detalhe, cada pedaço, cada cantinho. Não contente, abri o Google Earth e fui passeando. Até levei um tombo numa ladeira! Escrevi no meu caderno de viagens (sim, eu tenho!), tudo o que quero ver, comer, viver lá.

Posso dizer que conheço Dubrovnik? Não. Posso dizer que aprendi Dubrovnik mas que vou vive-la quando der, e que quando lá estiver, vou maravilhar- me como criança quando chega à Disney: a fantasia sai do papel para tornar-se real!

(Um dia serei criança e irei à Disney)